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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Timo e o Parquinho

Havia um menininho chamado Timo. Timo adorava sair de casa. Timo adoraria poder ir no parquinho, mas Timo não tinha muitos amigos; não podia tampouco ir sozinho. 

Um dia Timo quis ir ao parquinho mas seu pai e sua mãe não queriam deixá-lo ir. Ele perguntou o porquê e seus pais disseram que ele tinha muitas chances de se machucar e perder a vida. Timo questionou dizendo que a vida não se perdia, se morria. Então seus pais disseram que estava errado e que sim, era capaz de perder a vida sem morrer.

Até que um dia, Timo desrespeitou seus pais e foi no parquinho sozinho. Começou descobrindo o balanço: e balançou como nunca, subindo o mais alto que podia e vendo tudo com um ângulo que nunca tinha visto. Foi para a gangorra: e percebeu que precisava de outra pessoa para que tivesse graça. Viu o brinquedo de escalar: e escalou até o topo! Viu o gira-gira: e girou, girou, e girou. Quando parou de girar, a vida havia se esvaído de si. Parou ali e ali ficou. Para sempre sentado naquela areia branquinha do parquinho.

sábado, 17 de agosto de 2013

A Parede atrás do espelho

É domingo e eu não fiz nada de mais o dia inteiro. Isso é triste, muito triste pra mim. Já escureceu e meu tempo está acabando. O ânimo parece que tirou férias junto comigo, só que ao invés de ir pro mesmo lugar que eu, mudou de direção exagero generalizar assim, é só um dia Olavo, é só um dia.
No quarto que estou há um espelho na parede; em pé, olhei para ele e me vi, tentei sorrir, me encarei como de costume, pensei: "Só posso me ver dessa perspectiva? Se ele ficar somente lá, sim."
Foi nesse instante, que aproximando-me dele o tirei. Coloquei em vários lugares do quarto e me vi de diversas formas, não que meu interior tenha mudado junto com as formas, mas ele sentiu elas. 
Deixei o espelho na cama e fui beber água. Ao voltar, minha mente pareceu não conhecer o lugar; talvez porque faltava, na verdade, um pedaço da minha mente — em estranheza senti sua ausência e uma dor.
Que mistério me intrigou esta parede, ela parecia ter vida, intacta, imóvel, mas viva. Ou seria o espelho? Penso que uma parede não é mais a mesma depois de ter sentido um espelho.
Pasmo, e fascinado diante daquela situação, peguei-o e o coloquei de volta — ah, que alívio!