Havia um menininho chamado Timo. Timo adorava sair de casa. Timo adoraria poder ir no parquinho, mas Timo não tinha muitos amigos; não podia tampouco ir sozinho.
Um dia Timo quis ir ao parquinho mas seu pai e sua mãe não queriam deixá-lo ir. Ele perguntou o porquê e seus pais disseram que ele tinha muitas chances de se machucar e perder a vida. Timo questionou dizendo que a vida não se perdia, se morria. Então seus pais disseram que estava errado e que sim, era capaz de perder a vida sem morrer.
Até que um dia, Timo desrespeitou seus pais e foi no parquinho sozinho. Começou descobrindo o balanço: e balançou como nunca, subindo o mais alto que podia e vendo tudo com um ângulo que nunca tinha visto. Foi para a gangorra: e percebeu que precisava de outra pessoa para que tivesse graça. Viu o brinquedo de escalar: e escalou até o topo! Viu o gira-gira: e girou, girou, e girou. Quando parou de girar, a vida havia se esvaído de si. Parou ali e ali ficou. Para sempre sentado naquela areia branquinha do parquinho.
São nessas águas que os loucos navegam, são nessas águas onde os amantes se deleitam, são nessas águas que os seres humanos se encontram e se elevam! Lágrimas encharcam meus olhos...
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terça-feira, 8 de outubro de 2013
sábado, 17 de agosto de 2013
A Parede atrás do espelho
É domingo e eu não fiz nada de mais o dia inteiro. Isso é triste, muito triste pra mim. Já escureceu e meu tempo está acabando. O ânimo parece que tirou férias junto comigo, só que ao invés de ir pro mesmo lugar que eu, mudou de direção — exagero generalizar assim, é só um dia Olavo, é só um dia.
No quarto que estou há um espelho na parede; em pé, olhei para ele e me vi, tentei sorrir, me encarei como de costume, pensei: "Só posso me ver dessa perspectiva? Se ele ficar somente lá, sim."
Foi nesse instante, que aproximando-me dele o tirei. Coloquei em vários lugares do quarto e me vi de diversas formas, não que meu interior tenha mudado junto com as formas, mas ele sentiu elas.
Deixei o espelho na cama e fui beber água. Ao voltar, minha mente pareceu não conhecer o lugar; talvez porque faltava, na verdade, um pedaço da minha mente — em estranheza senti sua ausência e uma dor.
Que mistério me intrigou esta parede, ela parecia ter vida, intacta, imóvel, mas viva. Ou seria o espelho? Penso que uma parede não é mais a mesma depois de ter sentido um espelho.
Pasmo, e fascinado diante daquela situação, peguei-o e o coloquei de volta — ah, que alívio!
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